Logo Olimpíadas Londres 2012 – 1/2

Depois de 4 anos, voltei a escrever sobre esse projeto. Postei o novo artigo um dia depois do encerramento dos Jogos de Londres 2012. Convido você a ler esse novo texto logo após terminar esse primeiro. 4 anos pode mudar muitas opiniões 🙂

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Aloha!

Antes de mais nada, gostaria de pedir a todos os visitantes que lessem o post até o fim, pois nele é apresentado dois pontos de vista distintos. Então, vamos ao que importa:

Esse é o logo das Olimpíadas 2012 em Londres.

Não sei como começar a falar… vamos tentar pelas informações: o logo foi desenvolvido pela super agência londrina Wolff Olins e custou 600mil Euros (mais ou menos 1,6 milhão de reais hoje, set/2008). Lançado no dia 04 de junho de 2008, causou extremo furor nos britânicos e pouco tempo depois, a internet recebia uma enxurrada de críticas a respeito do logotipo.

O logo se trata de algo extremamente novo e diferente do convencional, que deverá durar por mais 5 anos e que acima de tudo pretende se comunicar com o público jovem.

Disse o sr. Sebastian Coe, presidente do comitê organizador para 2012. Na verdade, essa foi apenas uma das inúmeras declarações que o Coe, a Wolff Olins, Chris Autry entre outros, tiveram que dar sobre o design.

O logotipo, criado pela Wolff Olins, substitui a imagem inicial apresentada em 2003 e está disponível nas quatro cores, rosa, azul, verde e laranja, tendo sido definido como ‘moderno e dinâmico’, onde se representa os quatro pilares da candidatura britânica: acesso, participação, estímulo e inspiração.

Os britânicos classificam o trabalho como “logo ridículo que envergonha e descreve o país da pior forma possível”. Alguns criticam até o nome da cidade estar escrito com letras minúsculas. O negócio está tão sério, que no site da BBC Sports já foram postadas mais de 3800 mensagens de repúdio e no site GoPetition.com já foram colhidas quase 50mil assinaturas exigindo que o logo seja refeito.

Alguns do comentários, no mínimo divertidos, que andam pela internet sobre:

É o logo das Olimpíadas de Bedrock 2012 a.C., disseram os Flintstones;
• É o melhor que se pode fazer usando o MS Paint;
• É um quebra-cabeça sem solução;
• Wolff Olins deve ser um grafiteiro muito limitado;
• É como Tetris, sob o efeito de drogas;

• Os anos 80 telefonaram, querem seu logo radical de volta;
• É uma suástica nazista para crianças;
• É uma suástica nazista quebrada;
• Os Jogos Olímpicos mudaram de nome. Agora se chamam “ZOR”.

Mas será que eles (COI, agências e colaboradores) pensaram que seria diferente? Que esse logo iria virar a nova mania mundial (ou mesmo britânica)?

E isso não cria apenas um problema de falta de aceitação, mas também um problema financeiro. Eu nunca tive acesso a números ($$$) de uma olimpíada, mas tenho plena certeza que parte considerável do faturamento de um evento desse porte vem da venda de produtos licenciados e/ou empresas querendo atrelar sua marca aos jogos, e é que entra o problema: quem vai querer usar uma jaqueta com esse símbolo sendo que (até agora, set/2008) não vi um dizer que gostou? Como li no Zarp, o símbolo deve ser algo que as pessoas tem orgulho de mostrar, como o simbolo da Nike. Se isso, que leva o nome do evento, causa efeito negativo na opinião pública, com certeza isso resultará em baixas vendas. Será que ninguém lembrou do que se fala na faculdade e em palestras: “as pessoas tem que desejar consumir teu produto, mesmo que não precisem dele.”

Você deve estar pensando: “isso é o fim! Não existe nada pior que esse logo!” Acabo de encontrar o logo “modificado” para as Paraolimpíadas de lá também:

A única coisa que posso dizer:  “God save the Queen!”
Bem, falei o que estava na garganta no momento que olhei para o logo.

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Entretanto, não quero encerrar esse post assim.

Sinceramente, meu primeiro pensamento ao vislumbrar o logo foi Jesus-Maria-José, qual bêbado fez isso?. Mas após o inconformismo inicial, pude parar e pensar um pouco.

Lembro-me de uma aula na faculdade onde o professor disse “vocês tem que inovar, mudar as regras”. Parece que inovar é a palavra de ordem na Europa (vide logo da Euro2008). Os caras estão fugindo de todos os padrões mesmo, e é ai que me pergunto: não estariam sendo eles visionários?

“Que isso Daniel, eu jamais usaria ou faria qualquer coisa parecida!”.

Quando alguns franceses resolveram colocar curvas e temas florais em algumas peças foram tachados de loucos pelos tradicionais; os expressionistas brasileiros também foram rotulados de anarquistas pelos parnasianos. A lista é interminável daqueles que inovaram, criaram, fugiram do padrão, mesmo sendo chamados de loucos, ridículos, idiotas, mas hoje suas “revoluções” nos influenciam, sem contar que os consideramos gênios e por vezes, nos referenciamos nesses caras.

Não estou defendendo o design em si, mas sim a ousadia, a quebra de paradigmas, a (sem querer usar do clichê) inovação. O que estou tentando fazer é analisar de maneira macro o que se tenta passar, o conceito por trás do próprio conceito do logo. “O logo se trata de algo extremamente novo e diferente do convencional(…).”

Se de fato o comitê organizador queria causar buzz, chamar a atenção, viralizar, se essas foram as intenções, conseguiram! Tenho plena certeza que se esse logo for mostrado para qualquer britânico, na mesma hora ele saberá identificar do que se trata. É um logo com certeza atemporal, inesperado.

Fiz apenas esse comentário pois, de uma forma ou de outra, de tudo podemos aprender e com certeza, além de aprender e não fazer um trabalho ruim quero aprender a ser um “destruidor de regras”, um visionário também. Só quero estar com minha mente aberta pra assimilar novas coisas.

Mas e vocês pessoal, qual opinião? Vamos trocar idéias.

London 2012 from Wolff Olins on Vimeo.