Design alternativo para Londres 2012 by VentureThree

por Daniel Campos | 6 12 2011

Aloha!

Ando com muitas saudades de escrever por aqui. Conteúdo para produzir não para de chegar tanto a minha tela/mesa quanto a minha mente. A quantidade é maior do que meu poder de produção. Por essa razão venho postar esse projeto somente hoje, meses depois de tê-lo recebido de um gentil leitor do site (o qual não me lembro o nome. Por favor, se manifeste meu querido! : ).

Entretanto, não haveria momento melhor para postar sobre isso do que agora. Rio 2016, logo da Paraolimpíadas recém lançado, São Paulo agora com uma marca para siplace branding sendo estudado e feito em todo o canto.

Deste do fim dos Jogos de Pequim em 2008, Londres passou a ser o foco do mundo. Vendo a oportunidade maravilhosa que sua cidade estava tendo, o prefeito de Londres, Boris Johnson, anunciou em 2009 que iria contratar uma consultoria para criar uma marca para Londres, com lançamento previsto para antes de 2012 (o que parece que não irá acontecer). Uma marca que pudesse aproveitar tudo o que as Olimpíadas já estavam trazendo para a cidade e que projetasse Londres pós-2012. Algo mais que necessário pois, mesmo sendo uma das mais importantes cidades do mundo, na época Londres contava com 10 agências governamentais que promoviam o turismo, mas cada uma de forma independente. Resultado: um discurso pouco uniforme, já que não havia (há) uma marca única para a cidade.

Umas das agências participantes da “concorrência” foi a londrina Venture Three. Para quem não conhece, é deles o sensacional projeto de redesign da marca Little Chef. Sua proposta, ao que parece, não foi a aprovada. Então eles a transformaram numa marca não-oficial de Londres e a evoluiram para um logo olímpico.

Nossa proposta de criar uma marca unificada para Londres e definir a visão para a cidade pós-2012.

Londres. Complexa, diversa, emocionante, eclética, bonita, grande, pequena, cidade global. Não uma ideia, mas muitas. E muitas ideias para capturar em uma única ideia de marca. Londres. Precisa de um ícone e não de outra ideia.

Um novo ícone para Londres. Valente. Com visão de futuro. Poderoso. Uma tela aberta com usos e possibilidades ilimitadas. Vivificados por pessoas e ideias. Sem idade, sem raças, sem sexo, sem classes. Londres despojada à sua essência absoluta.

Londres. Nenhuma explicação necessária.

Tive o prazer de conversar com o pessoal da V3 sobre esse trabalho, e desse papo saiu uma pequena entrevista sobre Londres 2012. Falei com os partners Karen Leung e Stuart Watson, esse último o responsável pelo trabalho e quem respondeu as perguntas. Aliás, thank you so much V3′s people!

LOGOBR - Por que desenhar uma nova proposta para Londres 2012?

Stuart Watson - Nós criamos uma marca não-oficial para Londres no último ano e, obviamente, isso se expandiu naturalmente para um logo olímpico.

O release diz “Londres precisa de um ícone, e não de outra ideia”. O que isso significa?

Nós sentimos que Londres não pode ser resumida em um logotipo. Ela é muito diversa e o resultado final seria fatalmente acabar em um clichê. Em vez disso, queríamos criar algo icônico, e mais importante, algo que qualquer pessoa pudesse usar. Essa simplicidade brutal significa ser desenhado em estêncil, esboçado, ou criado no PowerPoint. Por isso nossa propósta é realmente democrática

Os projetos da Wolff Olins, geralmente, ditam novos padrões estéticos no design gráfico de marcas. Você acredita que acontecerá (ou que já está acontecendo) o mesmo com o design para Londres 2012?

Acredito que as pessoas estão se aquecendo para 2012, por tanto o design parece muito mais confortável agora. Não tenho certeza de que isso tenha influenciado o design. Não vi nada similar até agora.

Londres 2012 são os jogos olímpicos que mais atrairam investimentos na história. Isso significa que o design da Wolff Olins, bonito ou feio, funciona?

Funciona, sem dúvida nenhuma. A forma como os patrocinadores podem criar seus próprios logos de 2012 com suas marcas e cores é realmente original.

O que você acha sobre o design para Rio 2016, criado pela Tátil?

Tenho que tomar cuidado pois o designer é um bom amigo da minha esposa. Como devo dizê-lo? Não é o que eu teria feito.

Para mais sobre place branding para Londres, indico a leitura do artigo What will the Royal Wedding and the London 2012 Olympic Games do for the brand UK? da FutureBrand, falando sobre as oportunidades que a marca Reino Unido tem com dois grande eventos de mídia mundial como o Casamento Real e Jogos Olímpicos.

Arquivado em: Branding

Tags: , , ,

Gostou do post? ››

3 +

Veja outros artigos em

Branding

A opinião tão importante dos leitores.

Comentários: 12

  1. Eduardo Ferreira
    6 Dec 2011 9:46

    Hahahaha! O comentário dele sobre o logo de 2016 é o ápice! hahaha!

  2. gustavo nering
    6 Dec 2011 10:32

    Se «Londres (é) Complexa, diversa, emocionante, eclética, bonita, grande, pequena, cidade global. Não uma ideia, mas muitas», será que ela precisa de uma marca pra ela? Será que fazer criar algo que uniformize não é um contra-senso?

    • Vanessa Rodrigues
      6 Dec 2011 18:30

      Achei que representou bem “Complexa, diversa, emocionante, eclética, bonita, grande, pequena, cidade global…” e não é fácil…

      Já a frase: “Não é o que eu teria feito!” dita pelo Stuart tem peso.

  3. junior valler
    6 Dec 2011 11:10

    Eu curti, simplesmente.

  4. Cao Zone
    6 Dec 2011 15:52

    Londres precisa sim de um logo… assim como os designers precisam comer, vestir, pagar contas! Já o logo “LONDON” em si, prefiro parafrasear o próprio Stuart Watson: Não é o que eu teria feito!

  5. Fabio Lopez
    7 Dec 2011 12:58

    Sobre o curioso comentário a respeito do projeto Rio 2016, eu lamento que Mr. Watson tenha confundido ou misturado opinião pessoal com opinião técnica. O colega pretendia falar a respeito da vida pessoal dos autores (amigos de sua esposa) ou do trabalho em questão? Por que uma crítica profissional séria e educada é sempre bem vinda e contribui para a criação de um ambiente profissional maduro e evoluído.

    Eu honestamente fiquei curioso, e gostaria de escutá-lo se ele realmente tiver algo de construtivo a dizer. Ter feito algo diferente é o mínimo que se espera de um (outro) ser criativo – então ficamos apenas no campo da insinuação irônica, o que é uma pena. ;-)

    A proposta apresentada pelo estúdio V3 é interessante, mas no campo da hipótese fica difícil avaliar a pertinência estratégica do projeto – uma vez que o contexto não está sendo testado, de fato. Mas esse tipo de projeção provavelmente foi feito de maneira mais profunda pela comissão que avaliou e rejeitou a proposta, o que nos leva a crer que ela talvez não tenha atendido plenamente as expectativas do cliente. Atender as expectativas da comunidade de designers gráficos é importante, mas não é algo que garanta a eficiência de um projeto ou ateste sua qualidade.

    Particularmente, me incomoda uma certa incoerência no discurso de apresentação dessa proposta e sua configuração final, na medida em que não entendo a relação existente entre a ‘essência absoluta e a simplicidade brutal’ apresentada, com o objetivo de comunicar ‘complexidade, diversidade, emoção (sobretudo) e beleza’ da descrição do target da marca. Vejo esse esforço nas cores e nas boas aplicações, mas não na resposta formal euclidiana para esse complicado e amplo desafio.

    O remake do logo olímpico estaria fora das especificações básicas desse projeto, e também tem seu reconhecimento prejudicado pela sobreposição dos elementos. Essa marca em uma cor ficaria meio confusa, não?

    Mas foi um belo exercício, e isso é sempre bom pra se manter em forma. Parabéns e sorte aos amigos de Londres!

    abs,
    Fabio Lopez
    @flopezdesign

    • Renata Soares
      7 Dec 2011 16:17

      Resposta longa, pouco conteudo. Faz vista.

      Não teria feito diz bastante se conhece o trabalho do entrevistado, por isso não entrevistam qualquer um. A comunidade de deisgn não está inserida na comunidade em geral? Somos algo a parte? Temos problemas quanto a parcialidade ou somo exatamente os que melhor poderiam analisar? “target” “euclidiana” “desafio” Tanto floreio, pra dizer que pessoalmente não gosta, por gosto.

      São formas universais, uma vez lida, já fixa. Muito bom.

  6. Rogerio Fratin
    8 Dec 2011 10:22

    De primeiro impacto a marca LONDON criada chama a atenção. Bem, pelo menos chamou a minha. Aliás, adoraria ter uma camiseta dessas. Mas me parece muito mais um trabalho de artista plástico do que de um designer. Falar que Londres é tão diferente que não precisa disso e daquilo, que é tão cheia de elementos e blablablá pra tentar [não] explicar a marca me parece muito mais um discurso charlatão de quem criou sem pensar em contexto e precisa de um parágrafo impactante pra aparecer no descritivo da galeria de arte, já que o projeto em si não se explica.

  7. Alan Fecury
    17 Feb 2012 10:55

    Acho que quanto mais plural e duradouro for o conceito ou ideia a ser representada, mais singular, mais elementar, mais básico será o sistema visual a ser empregado no logo e toda a identidade. Sinceramente achei essa solução mais coerente, menos estilística do que a oficial.

  8. Ricardo Carvalho
    16 Jul 2012 8:18

    Imagina o que ele falaria se perguntassem sobre o logo da copa =]

Agora diga o que você pensa.

Deixe seu comentário

Nome

E-Mail

Link

Mensagem

Campanha prol projeto Ilha Design



E se todos os criativos do Brasil pudessem ajudar a colorir o coração de muitas crianças? O Ilha Design faz isso há 8 anos. Um trabalho voluntário que leva Design e Artes como fatores de integração social e cultural para crianças em Escolas Públicas. Mas agora o projeto precisa de pessoas como você para continuar a existir. Até 4 de outubro estamos em campanha junto com eles para ajudar na arrecadação de fundos.

Entre no link, conheça o projeto e ajude. Compartilhe com seus amigos. Vista a camisa do Ilha Design.

Veja +


Diatipo 2014



O Diatipo já é um evento esperado todos os anos, já entrando para o calendário internacional do mercado tipográfico. As inscrições para 2014 já estão abertas e a participação confirmada de Matthew Carter e Alexandre Wollner.

Veja +

Brix Sans



Depois de vários meses em silêncio, Hannes von Dohren volta com um lançamento fantástico: Brix Sans, uma família de 12 fontes, toneladas de OpenType e uma versatilidade absurda. Até dia 27/09 por $49.

Veja +

R Misto Bauru



Este ano Bauru sediará o 8º Encontro Regional de Estudantes de Design da região de São Paulo e também o 16° Interdesigners: o R Misto. O evento ocorrerá dos dias 5 a 9 de novembro e pretende apresentar a mistura diferente que permeia a vida dos estudantes da cidade.

Veja +