Manual de identidade Nazista

por Daniel Campos | 16 10 2012

Aloha!

Feliz em voltar a escrever aqui no LOGOBR pessoal. E não poderia ser de melhor forma.

Como alguns de vocês sabem, no fim de setembro estive na UNESP Bauru para participar da primeira Semana de Tipografia, que aliás foi sensacional! Bem, enquanto fazia as pesquisas para a palestra que iria ministrar na Semana, me deparei com algo que ainda não consigo crer de tão fantástico que é. Trata-se do manual de identidade do Terceiro Reich de Hitler. É o brandbook da marca Nazista!

Publicado pela primeira vez em 1936 e com versões atualizadas nos anos subsequentes, esse manual contém mais de 500 páginas escritas em blackletter contendo informações diversas e imagens do uso de logos, uniformes, títulos, insignias militares, texturas, fluxogramas de níveis hierarquicos, disposição de prédios oficiais, armas, chapéus de cada uma das patentes das forças militares e policiais, medalhas, bandeiras e até documentos. Um manual de 75 anos atrás, mas que poderia ter sido feito em nossos dias.

E antes que você pergunte: ele está divido em duas partes porque o Issuu não aceita documentos com mais de 500 páginas. Ambos documentos com download habilitado. Divirtam-se!

Sei que é desnecessário, mas só para garantir: esse post tem por único e exclusivo objetivo compartilhar o conteúdo sobre design gráfico e identidade visual que esse manual contém. Estamos bem longe de qualquer ideologia nazista, ok? :)

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Comentários: 22

  1. Ligia Fascioni
    16 Oct 2012 17:00

    Nossa, que incrível, Daniel! Só você para descobrir uma coisa dessas. Mas também, da terra da Bauhaus, esperar o que, né? Tem que ser tudo bem organizadinho mesmo….
    Abraços e sucesso!

  2. Vagner Labaki
    16 Oct 2012 17:39

    Muito interessante!! Na semana passada assisti uma palestra na facu sobre estética Nazista. Espero que um dia as pessoas entendam que estudar sobre este assunto não é apologia e sim curiosidade!

  3. joselitus_maximus
    17 Oct 2012 0:22

    “Mas também, da terra da Bauhaus, esperar o que, né? Tem que ser tudo bem organizadinho mesmo….”

    Só para constar…

    Os nazistas ODIAVAM A(o?) BAUHAUS, inclusive fecharam a escola, muitos professores tiveram que fugir da Alemanha, e muitos, como eram judeus ou tidos como “esquerdistas” ou “degenerados”, morreram em campos de concentração.

    • Dan
      3 Nov 2012 3:53

      Really? Ele só correlacionou a cultura do povo.(que tinha a mesma cultura)

  4. Cristiane Cristine
    19 Oct 2012 14:36

    As pessoas ainda não compreendem a diferença entre resgatar a história e fazer apologia ao nazismo. Por isso tanto material rico em produção e metodologia do design do 3º Heich só está sendo difundido agora. Parabéns pela iniciativa!

    • Ricardo Durski
      19 Oct 2012 16:53

      Metodologia do design do terceiro reich? Explique melhor isso.
      Método é uma coisa, estética é outra. Não entendi o que quis dizer.

  5. Silvia Pahins
    19 Oct 2012 15:53

    Parabéns! Você descobriu uma preciosidade!

  6. Bruno
    30 Oct 2012 14:59

    Muito legal e bem completo esse material. Uma verdadeira aula de design.
    Uma coisa pra se pensar é que com tanta preocupação com a identidade visual e mesmo assim utilizaram uma tipografia no material que não ajuda nem um pouco na leitura.
    Pesquisando mais sobre o assunto acabei descobrindo que depois de um tempo Hitler descobriu que a fonte gótica tinha raízes judaicas e ordenou que todos materiais passassem a utilizar a Akzidenz Grotesk (http://pt.wikipedia.org/wiki/Akzidenz_Grotesk).
    Não tenho certeza se essa informação procede pois achei outras fontes falando que isso não é verdade, mas como o texto está todo em inglês ainda não terminei de ler.
    Enfim, fica um tópico bem interessante pra se levantar uma pesquisa, afinal, se a fonte gótica tem realmente raízes judaicas e mesmo assim acabaram utilizando ela no manual de identidade nazista, foi uma tremenda falha da equipe de design do Hitler.

    • Henrique
      21 Dec 2012 19:42

      Bruno, é verdade isso. Li no livro “Linguagens do design”, do Steven Heller. Só não lembrava se dizia algo sobre a Akzidenz ter sido adotada após o banimento.

  7. joselitus_maximus
    6 Nov 2012 0:43

    A frase “só para constar” é aparentemente de difícil compreensão…

    “… correlacionou a cultura do povo.(que tinha a mesma cultura) …”
    Mesma cultura é? Tá bão… Ainda bem que não sou alemão, e não tenho que perder tempo todo dia explicando o contrário.

    “…As pessoas ainda não compreendem a diferença entre resgatar a história e fazer apologia ao nazismo. …”
    Que lorota, o regime nazista é um dos mais estudados por vários campos, o que não falta é documentário, livro, filme, jogo,etc. sobre nazis e tudo que se relaciona.

  8. Gabriel Macohin
    7 Nov 2012 9:50

    Fantástico!

  9. Raffael Von
    3 Jan 2013 9:13

    Muito bom o post, vc pode ver como era extremamente organizada as patentes e também a forma de vestir! Design de 1920 era muito organizado!

  10. Cleyton Lage
    24 Jan 2013 21:42

    Sensacional, eu me interesso porque estudo alemão e seria uma ótima leitura para estudar. Mas não sei como baixar, é possível?

    • Daniel Campos
      25 Jan 2013 11:30

      Olá Cleyton, como vai? Espero que muito bem.
      Baste você entrar na página dos manuais e procurar o botão download que fica logo abaixo do documento.

      Qualquer coisa, nos escreve ta legal.
      Abraços

  11. Cleyton Lage
    25 Jan 2013 20:41

    Tudo ótimo Daniel. Achei aqui sim, muito obrigado e parabéns pelo site, muito interessante.
    Abraços

  12. wilson cesar
    8 Feb 2013 8:15

    Trata-se de uma peça valiosa, importante meio para estudos, algo que transcende ideologias e apologias. Discutir tais posturas é deixar de olhar para a história que se tem em mãos. Uma grande oportunidade de vasculhar o passado, inclusive, do próprio design como disciplina.

  13. Tassia Pellegrini
    28 Feb 2013 18:08

    O “briefing”, “defesa” e “tentativas” que retirei de Mein Kampf:

    “É evidente que o símbolo de uma crise que podia ser vencida pelo marxismo, em circunstâncias pouco honrosas, pouco se presta a servir de emblema sob o qual esse mesmo marxismo tem que ser novamente aniquilado. Por mais santas e caras que possam ser essas antigas e belíssimas cores aos olhos de todo alemão bem intencionado, que tenha combatido na Guerra e assistido ao sacrifício de tantos compatriotas, debaixo dessas cores, não pode essa bandeira simbolizar uma luta no futuro.

    Ao contrário dos políticos burgueses, sempre defendi, no nosso movimento, a opinião de que, para a nação alemã, foi uma felicidade ter perdido sua antiga bandeira. Não precisamos investigar o que a República tem feito debaixo da sua. De todo coração, deveríamos, porém, ser gratos ao destino misericordioso que preservou a mais heróica bandeira de guerra de todos os tempos de servir de lençol nos antros da prostituição.

    O Reich atual, que vende seus cidadãos e a si próprio, nunca deveria arvorar a bandeira preta, branca e vermelha, coberta de honras e de heroísmo. Enquanto durar a vergonha de novembro poderá a República continuar a usar suas insígnias próprias sem roubar a bandeira de um passado honesto. Nossos políticos burgueses deveriam ter consciência de que o uso da bandeira preta, branca e vermelha, por esse Estado, eqüivale a um roubo ao passado. O antigo pavilhão, francamente, só se adaptava ao antigo Reich. Graças a Deus, a República, também, escolheu um de acordo com as suas idéias.

    Eis a razão por que nós, nacionais-socialistas, não teríamos podido enxergar, na antiga bandeira, um símbolo expressivo de nossa própria atividade. Nossa intenção não é ressuscitar o velho Reich, que pereceu por seus próprios erros, mas, sim, construir um novo Estado.

    A questão do novo pavilhão, isto é, o seu aspecto, ocupava muito a nossa atenção, naquele tempo. De todos os lados recebíamos sugestões muito bem intencionadas, mas sem sucesso. A nova bandeira tinha que representar o símbolo da nossa própria luta, e, ao mesmo tempo, deveria produzir um efeito majestoso sobre as massas. Quem tiver o hábito de lidar com a massa popular verá, facilmente, nessas bagatelas aparentes, questões de grande importância. Um emblema que produza grande efeito pode, em milhares de casos, dar o primeiro impulso ao interesse popular por um movimento qualquer.

    Eis porque tivemos de recusar todas as propostas, aliás bastante numerosas, para identificar, por uma bandeira branca, o nosso movimento com o antigo Estado ou, melhor ainda, com aqueles partidos enfraquecidos. cujo único fim político consistia na restauração de situações passadas. Acresce ainda que o branco não é uma cor arrebatadora; ela é apropriada a congregações de virgens castas e puras, e não a movimentos violentos de uma época revolucionária.

    O preto foi igualmente proposto. Seria próprio para a época atual, não exprimia, porém, as aspirações do nosso movimento. Além disso, o efeito dessa cor não é empolgante.

    Branco-azul não foi aceito, apesar do maravilhoso efeito estético, por ser a cor de um Estado da Alemanha, infelizmente de uma atitude política que não goza da melhor fama, por sua estreiteza regionalista. Aliás, nessa escolha, não haveria nada que correspondesse ao nosso movimento. Preto e branco estava no mesmo caso. Preto, vermelho e ouro, por si mesmo, não entrou em questão, por motivos já mencionados. Preto, branco e vermelho, pelo menos na mesma disposição antiga, também não foi discutido. Quanto ao efeito, esta última composição de cores leva a palma sobre todas as outras, realizando a mais brilhante harmonia.

    Eu mesmo fui sempre um advogado da conservação das cores antigas, não só por venerá-las como uma relíquia, na minha qualidade de soldado, como, também, pelo efeito estético que elas exercem e que é mais conforme ao meu gosto.

    Apesar disso, fui obrigado a recusar, sem exceção, os inúmeros esboços que saíam, naquele tempo, dos círculos do movimento incipiente, e que, na maior parte, tinham introduzido a cruz suástica na antiga bandeira. Como líder, eu mesmo não queria aparecer logo em público com o meu próprio projeto, porque era possível que alguém tivesse a idéia de outro igual, ou mesmo melhor, do que o meu. Com efeito, um dentista de Starnberg produziu um desenho bem regular e muito parecido com o meu, com um único defeito de trazer a cruz suástica com ganchos curvos sobre um disco branco.

    Nesse ínterim, depois de inúmeras tentativas, eu havia chegado a uma forma definitiva; uma bandeira de fundo vermelho com um disco branco, em cujo meio figurava uma cruz suástica preta. Após longas experiências, descobri, também, uma relação determinada entre a dimensão da bandeira e a do disco branco, como entre a forma e o tamanho da cruz suástica, e aí fizemos ponto final.

    No mesmo sentido, fez-se logo encomenda de braçais para os encarregados do “serviço de ordem”, sendo o braçal vermelho, com um disco branco, trazendo no centro a cruz suástica preta.

    O emblema do partido foi esboçado segundo as mesmas diretrizes: um disco branco sobre fundo vermelho e no centro a cruz. Um ourives de Munique, por nome Füss, forneceu o primeiro esboço suscetível de ser empregado e adotado.

    Em pleno verão de 1920, o novo pavilhão apareceu, pela primeira vez, em público. Adaptava-se, admiravelmente, ao nosso movimento incipiente. Partido e bandeira distinguiam-se pela novidade. Nunca tinham sido vistos antes. Seu efeito, naquele momento, foi o de uma tocha incendiada. A nossa alegria foi quase infantil quando uma fiel adepta de nosso partido executou o plano pela primeira vez e no-lo entregou. Já poucos meses depois, possuíamos meia dúzia em Munique. As tropas do “serviço de ordem”, cada vez mais, extensas, contribuíram, extraordinariamente, para a propagação do novo símbolo do movimento.

    Era um símbolo de verdade! Por serem intérpretes da nossa veneração pelo passado, estas cores ardentemente amadas, que, outrora, alcançaram tanta glória para o povo alemão, eram, agora, ainda a melhor materialização das aspirações do movimento. Como nacionais-socialistas, costumamos ver na nossa bandeira o nosso programa. No vermelho, vemos a idéia socialista do movimento, no branco, a idéia nacional, na cruz suástica a missão da luta pela vitória do homem ariano, simultaneamente com a vitória da nossa missão renovadora que foi e será eternamente anti-semítica.

    Dois anos mais tarde, quando as “tropas de ordem” já se tinham transformado, há muito tempo, em um batalhão de assalto de muitos milhares de homens, surgiu a necessidade de dar a essa organização de defesa da nova doutrina ainda um símbolo especial de triunfo: Os estandartes! Esses, também, foram esboçados por mim e a execução foi confiada a um fiel adepto do partido, o ourives Guhr. Desde aquele momento, os estandartes passaram a ser os sinais característicos da campanha nacional-socialista.

    A atividade nos comícios populares, que crescia, cada vez mais, durante o ano de 1920, levou-nos, por fim, a marcar duas reuniões por semana, As multidões se aglomeravam diante dos nossos cartazes, as salas mais espaçosas da cidade estavam sempre repletas e dezenas de milhares de adeptos, desviados pelos marxistas, voltaram à sua antiga comunidade, para lutar pela liberdade de um Reich futuro. Já estávamos conhecidos pelo público de Munique. Falava-se em nosso nome, e a expressão “Nacional-Socialista” já era familiar a muitos, significando até mesmo um programa, o número dos adeptos do movimento começou a crescer sem interrupção, de modo que, no inverno de 1920/21, já podíamos aparecer em Munique com um forte partido.”

    • admin
      11 Mar 2013 16:07

      Fantástica contribuição Tássia. Muito obrigado!

  14. Regina
    2 Apr 2013 14:23

    É realmente uma preciosidade para o designe. Tanto na parte da gestalt quanto na semiotica. É impressionante como o designe atingiu tal proporção, mesmo naquela época. Obrigada por este post, é realmente um publicação muito bem elaborada; dá gosto de ver uma identidade tão caprichada como esta!

  15. Lucas Arcoverde
    10 Apr 2013 21:43

    É possível eu baixar esse PDF no Issuu? Eu quero muito ter esses PDFs de referência sem ser online, para eu ler a hora que quiser.

  16. joão marcos
    3 Sep 2013 12:14

    ótima postagem… como faço pra salvar o livro? não consegui achar link pra download.

    • Daniel Campos
      9 Sep 2013 11:27

      Olá João, como vai? Espero que muito bem.
      Basta você entrar na página dos manuais e procurar o botão download que fica logo abaixo do documento.

      Qualquer coisa, nos escreve ta legal.
      Abraços

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