Branding para Copa Libertadores

Uma marca para a Libertadores da América

Aloha!

Quem me conhece, ou me acompanha pelas redes sociais, sabe o quanto sou fã de esporte. E claro, o primeiro deles é o futebol. E por conta da minha atuação profissinal, não teria como não olhar para os esportes também sob um ponto de vista mercadológico, de produto a ser consumido. Por esse motivo sempre estou lendo sobre marketing e branding esportivo, acompanhando as grandes ligas européias (UEFA Champions League, Premier League, Bundesliga) as sensacionais ligas americanas (em especial NFL e NBA) e sempre babando em como esses caras conseguem fazer do esporte um produto de extrema qualidade e lucrativo. E claro, isso passa pela gestão das respectivas marcas.

A inevitável comparação com a gestão do futebol brasileiro e sul-americano também não poderia faltar. Por esse mesmo motivo, meu trabalho de conclusão de curso na pós-graduação em Design Estratégico de Marcas era o estudo e estruturação de uma marca para o campeonato brasileiro de futebol. Por falta de tempo para me dedicar a ele, esse trabalho nunca tomou o corpo que eu desejava e está aqui na gaveta, infelizmente.

Mas tem mais gente interessada nesse mesmo assunto e fazendo um trabalho excelente. É o caso do Ricardo Carvalho e Rodrigo Levenzon, especialistas em branding que fizeram um projeto não-oficial a fim de tentar entender alguns dos atributos do futebol da América do Sul afim de projetar uma marca para a Copa Libertadores da América.

Interessante ver como eles usaram o fato de que nessa região do planeta não existem grandes estádios ou grandes jogadores aos montes. Mas existe algo que, com exceção da Alemanha, anda faltando na Europa (por várias razões que não colocarei em questão agora): torcida quente! Com certeza é o atributo que nos diferencia dos que estão do outro lado do Atlântico.

O projeto é maravilhoso, bebeu das fontes certas e é muito bonito. Usaram a história das antigas civilizações sul-americanas com uma das bases para a tangibilização do projeto, um golaço! Destaque para o lettering que está soberbo e para a tipografia da marca.

Mostra que com um pouco de trabalho é possível dar uma CARA para a Copa Libertadores da América. Não é preciso ser especialista para saber que isso tornaria o produto muito mais interessante para novos patrocinadores.

Apesar de ser um projeto apenas para fins de estudos, é interessante comentar um fato apontado por um leitor do BrandNew: as referências do projeto fazem lembrar o Independiente, clube argentino conhecido como Diabos Vermelhos e que é o recordista de títulos da competição. Outro ponto importante: algumas aplicações eu vejo como impossíveis, principalmente por conta da cor e das torcidas. Talvez em um projeto oficial, isso teria que ser repensado para não criar repulsa em outros clubes, principalmente os que tem como rivais locais clubes que usam vermelho. Mas evidente que isso são detalhes que não tiram, nem um pouco, o brilho e a importância do trabalho do Ricardo e do Rodrigo.

Para ver (e ler) o projeto completo, corre lá no site que eles criaram que está supimpa! LINK

Daniel Campos
Diretor na Anora Campo
Especializado em Design Estratégico de Marcas pela Facamp, diretor da consultoria em branding e design Anora Campo, professor na Faculdade de Administração e Artes de Limeira/SP e editor-chefe do LOGOBR.
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  • Olá Daniel, agradeço pelas suas considerações no projeto. De fato, o que queremos mostrar com esse estudo é como deixá-lo mais atrativo e mais forte, para atrair mais investidores, fidelizar mais os consumidores e fazer também com que os atletas tenham a ambição de ter em seus currículos um título dessa competição. Depois da pesquisa, vimos o que torcedores mais rivais tem em comum. A narrativa tomou essa postura de alinhar um discurso para todos os torcedores latinos: a força que a torcida tem, independente do tamanho da torcida, ou de suas canções, ou história. Percebemos que aqui o nível de representação cultural que o futebol tem dá inúmeras possibilidades a serem trabalhadas para criar relacionamento com os torcedores.

    O exemplo com a comparação ao Independiente é inevitável, umas vez que o time que mais vezes venceu a competição também tem sua identidade ligada á ideia do inferno e ao tridente, assim como o América de Cali. Mas nós acreditamos que o discurso da marca deve ser este escolhido em relação ao seus concorrentes. Foi uma escolha estratégica que pudesse de fato competir em produto com as competições mais bem sucedidas nesse segmento: A Champions League e a Copa do Mundo. Nós tivemos a oportunidade de criar um projeto no nível ideal do ponto de vista da marca, e, sendo um estudo conceitual, nos demos essa liberdade para poder alinhar esse discurso de marca. Acreditamos que, em uma possível implantação sim, nós devemos levar todos esses pontos em consideração. Mas quisemos tangibilizar o que nossa pesquisa nos mostrou de melhor, que deixasse a competição com um diferencial que tenha relevância. Comparando com a Champions, azul é a cor da marca e também tem clubes europeus que usam a estrela para simbolizar suas marcas. Estamos tratando diferentes ambientes e não devemos confudir clubes com competição.

    Acreditamos que a significação cultural do esporte pode ser ainda maior se trabalharmos com clubes e competições pensados do ponto de vista da marca. A Libertadores é só um pedaço do vasto arquivo cultural que temos no esporte na América do Sul.

  • Gabriel Gabo

    Ficou muito bacana. Parabéns pelo estudo! Representa muito bem o campeonato em si.
    A minha primeira lembrança foi de algumas aplicações do símbolo Heráldico ucraniano (Minha! Qual a chance de mais alguém relacionar à isso? hauhauha – http://i.telegraph.co.uk/multimedia/archive/02832/potd-ukraine-woman_2832219k.jpg)
    Engraçado que as cores, logo, aplicações e principalmente a tipografia (que ficou muito boa! Vi mais detalhes no site) não há muita referência ao Brasil, talvez pelo próprio estudo da mitologia, sendo que a do Brasil não é muito explorada por nós e não tem muita semelhança com o resto da América Latina.
    Enfim. Daniel, tava na espera de um post há muito tempo hauehaheu!
    Abraço

    • Daniel Campos

      Gabriel, que bom cara, que bom que você está esperando um post. Por vezes temos a impressão que não existe mais a cultura da leitura de blogs no nosso mercado. Os grande blogs de Design que era nossos amigos em 2008, quando o LOGOBR nasceu, não existem mais. Nenhum. Mas não queremos o mesmo fim para nós, e são por pessoas como você que ainda estamos vivos. E vamos nesse que estamos projetando novo site e nova marca :)

      Abração querido

  • Arthur Fujii

    Gostei muito de todo o estudo feito para o projeto. Acredito que a solução encontrada representa muito mais a competição que o logo oficial. Mas eu tenho um certo receio sobre esse ar de guerra proposto.
    Ao mesmo tempo que pode motivar os jogadores, acho que poderia estimular a violência nos torcedores. Sabemos que infelizmente muitos que se dizem fãs de futebol não precisam de motivos para partir para agressão e selvageria.
    Assim, acho que mesmo a identidade proposta sendo coerente com a competição, poderia gerar um efeito colateral.
    Ser refém dos maus torcedores não é algo que me agrada, mas acredito que é algo que mereça uma atenção.
    Apesar da minha observação, reforço que acho o projeto muito completo e inspirador. Parabéns.

  • Lucas

    O estudo sobre as torcidas e o campeonato em si ficou ótimo, realmente relevante, mas honestamente (minha opinião) não gostei da marca, Libertadores é tradição, significa ser respeitado em toda a América Latina, o logo mais parece a marca de um campeonato GAMER ou uma legião inimiga do Optmus Prime.

    A observação sobre a Champions League também foi bem colocada, acho ela um logo que diz exatamente o que ela representa, as maiores estrelas do mundo jogando no mesmo campeonato…

    Acho que essa marca deveria passar mais “Futebol” e menos “Guerra”