O que aprendi lecionando

Hoje não vou falar sobre design, mas sobre a importância dos estudos e de planejarmos nosso crescimento profissional através do aprendizado.

Comecei a lecionar muito cedo, ainda durante a faculdade de arquitetura, no meu 3º ano. Nada glamoroso. Era o professor auxiliar de um curso de software dentro da Fupam, fundação que promovia cursos e aperfeiçoamento profissional dentro da FAU USP.

Quando o curso foi encerrado no meu 4º ano, resolvi propor algo que o substituísse. Pretensioso e sem nada a perder, propus para a Fupam um curso de “design gráfico para apresentação de projetos de arquitetura”. Surpreendentemente eles toparam, apesar de ser ainda apenas um estudante da faculdade. Aquele foi o primeiro passo para lecionar em cursos livres, e depois graduações e pós graduações ao longo destes 15 anos que se passaram desde então.

Os cursos dentro da Fupam eram tanto para profissionais, quanto para estudantes. Por estarem dentro do prédio da FAU eles periodicamente sorteavam bolsas de estudo entre alunos e eu como professor conseguia acesso a mais algumas. Então naquele período constantemente eu me alternava nos cursos na posição, ora como aluno, ora como professor.

Comecei a notar naquela época que, em alguns momentos, os cursos estavam todos muito cheios, e em outros períodos, todos vazios. Me perguntava o por quê?

Percebi o seguinte: Quando o mercado estava muito mal, as matrículas caiam. Afinal sem trabalho ou emprego, não era fácil pagar por um curso, por mais importante que ele pudesse ser para a carreira do aluno ou para a conquista de um novo emprego. Porém, quando o mercado estava em forte alta as matrículas também caíam. Somente nos períodos medianos as classes estavam cheias e, intrigado do porquê, comecei a perguntar aos alunos.

O que aprendi foi o seguinte: Quando não se tem dinheiro ou emprego, não se investe em cursos. Quando se tem muito dinheiro e trabalho, geralmente não se tem tempo para os mesmos.

Fazia sentido.Mas ao era uma lógica burra! Afinal, o melhor momento para se investir no aprendizado e na carreira é justamente quando o mercado está em baixa, quando temos mais tempo e quando nos diferenciarmos dos concorrentes é mais importante.

Percebi que não temos a cultura de entender os estudos como parte de uma estratégia de vida. Não os planejamos, as vezes eles acontecem. Não traçamos metas do que queremos aprender e muitas vezes subestimamos o papel do aprendizado no nosso crescimento. O tempo passa, permanecemos no mesmo patamar profissional que estávamos 2 anos antes e quando nos perguntamos o motivo, não enxergamos a resposta óbvia: Fazer sempre as mesmas coisas, sempre da mesma forma, não nos levará nunca a um lugar novo.

Mas e o dinheiro? Será que é tão complicado assim? Acredito que não. Nos momentos de alta podemos economizar para os de baixa. Percebo que a maioria consegue até traçar um plano de economia para comprar um celular novo, mas estudo, só se houver tempo, dinheiro, disponibilidade… tudo coincidindo em um momento propício! Isso é claro se não “bater uma preguiça”…

Precisamos ser mais sérios quanto ao nosso aperfeiçoamento profissional. Não precisa ser um curso, ou uma pós graduação. Pode ser fazer uma pesquisa através da leitura de vários livros de um mesmo tema, pode ser investigando algo importante do seu mercado, ou qualquer outra coisa que seja de verdade um investimento nas nossas carreiras.

Mas precisa ser planejado e executado!

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Sobre o escritor:

Guilherme Sebastiany é sócio fundador da Sebastiany Branding, escritório especializado em diagnósticos, estratégias e projeto de marcas.

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