Action Painting: A desordem que inspira

por Escritores convidados | 16 11 2011

por Elvis Benício

Olá!
Antes de iniciar esse post, quero deixar meus sinceros agradecimentos aos honrosos feedbacks que tenho recebido dos leitores do LOGOBR . É com grande satisfação que tenho recebido tais comentários e perguntas, pois me fizeram pensar em um novo direcionamento para os posts futuros. A partir de hoje, irei expor minhas ideias e comentários sobre técnicas e estilos que são fundamentais para a a busca do aprimoramento do senso estético gráfico e como eles são aplicados a uma peça. É importante acrescentar que o repertório visual e conhecimento teórico de cada criativo se tornará uma base sólida no processo de qualquer trabalho.

Então, vamos nessa!

Sobre o Action Painting
Dentre as inumeras técnicas artísticas que me inspiram, o Action Painting é a que me traz coragem de experimentar novas combinações de formas e cores. Isso se deve pelo fato dessa técnica ter como princípio a liberdade de improvisação, o gesto espontâneo, a expressão de uma personalidade individual tornando a peça única. Parecido quando estamos no meio do processo de criação de uma peça e intuitivamente vamos adicionando layers, shapes e cores até chegar em um ponto onde parece nos agradar. Acredito que isso que já deve ter acontecido com qualquer criativo.

“Um experimento levanta uma questão ou testa uma hipótese cuja resposta não é conhecida de antemão”. Jennifer Cole Philips

O Action Painting, pintura de ação ou gestual, é um termo dado pelo crítico norte-americano Harold Rosenberg, em 1952. Porém o criador dessa técnica é o norte-americano Jackson Pollock (1912 – 1956) que define de modo sintético os traços essenciais de sua técnica e estilo de pintura. Pollock influenciou e encorajou muitos artistas. Até hoje é possível ver claramente tal técnica mesclada a tipografias, aplicadas a motions, incorporadas em impressos e meios digitais.


• Jackson Pollock em ação •

Dentre os artistas atuais que utilizam tal técnica, darei destaque para o Americano Michael Cina. Numa entrevista recente, Cina afirma: “É papel de todo artista utilizar do meio que possui para explorar seu limite”. Observando seus trabalhos podemos notar a tamanha sensibilidade e naturalidade com que cada peça possui.


• Michael Cina •

• Michael Cina •

Como havia dito, o Action Painting tem sua origem na pintura, porém se estende aos meios tecnológicos digitais, como por visto nesse interessante video onde o artista executa a técnica de modo TOUCH.

Nesse outro exemplo, o designer sueco Rikard Favati utiliza da técnica para personalizar Dunnys (toy art) obtendo um resultado autêntico.


• Dunnys customizados por Rikard Favati •

• Dunnys customizados por Rikard Favati •

O site DRIPS oferece uma plataforma onde você gera seu wallpaper através de splashes e traços coloridos. O difícil é saber quando parar, já que as opções de cores geram infinitas combinações. Porém, acho mais interessante sair do RGB e sujar a mão nas tintas.


• simulador online de Action Painting •

Exemplo de Aplicação
O Museu de Arte Moderna de Viena (MUMOK) apresentou uma peça criativa na divulgação da exposição da galeria de quadros de Pollock. O uso de chocolate e morango mesclam sinestesias, tanto gustativa quanto visual. Uma peça com bom uso tipográfico, uma boa diagramação e contraste.


• Peça de divulgação da exposição de Jackson Pollock •

Como e onde se aplica?
A liberdade é tanta que essa técnica pode ser aplicada (ou até mesmo imposta) à tipografias, backgrounds (patterns e/ou texturas), impressos, digital, acabamentos, entre outros. Porém, atente-se para uma coisa: “Design é projeto”, a utilização dessa técnica deve ser encarada como uma ferramenta visual com finalidade estética. A unicidade de um trabalho está em sua forma e conteúdo, o objetivo da mensagem deverá atingir sua função.  Isso faz um “link” daquele post anterior sobre Estraestesticar , onde abordo justamente a relevância da experimentação com um propósito. Portanto, caso esteja prestes a utilizar a técnica de Action Painting em seu próximo projeto, não descuide do briefing em questão, isso pode custar um retrabalho doloroso.

Antes de adentrar nas experimentações gráficas “a la Pollock” faça ensaios utilizando seu senso estético e intuição na composição. Confesso que fui tão atingido por essa técnica recentemente que dei uma roupagem nova no topo do meu site. Enfim, mescle tipografias ao trabalho, formas geométricas, cores contrastantes. O Céu é o Limite. Experimente!

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A opinião tão importante dos leitores.

Comentários: 7

  1. Edson Souza
    16 Nov 2011 15:20

    Não só deu gosto de ler como de comer. Esses malditos morangos estão me deixando com fome.

    Ótimo!

  2. Alexo Maravalhas
    16 Nov 2011 18:34

    Correndo muito risco de ser redundante, pra eventualmente quem ainda não assistiu, tem o filme contando um pouco do céu e do inferno da vida de Pollock. Com o ótimo Ed Harris.

  3. Elvis Benicio
    16 Nov 2011 18:55

    Edson: Cara, dá para alimentar os olhos e paladar ao mesmo tempo.
    Alexo: que bacana, poste nome do filme para o pessoal procurar tbm.
    vlws pela dica!

  4. Cristiana Fernandes
    23 Nov 2011 12:30

    Elvis, só discordo do termo “desordem”. Existia uma ordem, mas estava na cabeça do Pollock. Rs… Na verdade, ele buscava o domínio de uma técnica dificílima, que era obter traços homogêneos com derramamento de tinta. Não buscava o resultado visual tão somente. O cara era tão minucioso que ficou doido!

    Se me cabe uma contribuição, salvo Vik Muniz, que executou o melhor da metalinguagem artística, buscando retratar Pollock com sua própria técnica. Dá uma olhada no site do MOMA. http://www.moma.org/explore/inside_out/tag/jackson-pollock

    Beijo

  5. Elvis Benicio
    24 Nov 2011 21:44

    Hey Kitty, obrigado pelo comentário e a contribuição do link.
    Recomendo muito a todos o filme POLLOCK (2000) no qual disponibilizei o link no post acima. Uma obra de arte dirigida por Ed Harris.

  6. Jean Pierre
    30 Jul 2012 11:58

    Estilos como Cubismo, abstracionismo, o geométrico e agora o estilo action paiting, vieram com certeza para somar ao Design gráfico de maneira que seja usado baseado em alcançar uma função e possua uma estética, um exemplo que dou é usalo para dar uma idéia de pintura de forma geral, seja qual for o assunto trabalhado (Action painting) é algo muito interessante que eu abordaria como um movimento moderno, enfim gostei muito da matéria e gostaria de ver mais assuntos relacionados a ele e aos que mencionei no começo da minha fala.

Agora diga o que você pensa.

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