Logo Londres 2012: um briefing, uma solução

por Daniel Campos | 14 08 2012

Aloha!

Parece que foi ontem. Há quase 4 anos atrás escrevi o artigo que catapultou o LOGOBR no cenário da então fervilhante blogosfera sobre design no Brasil. Eu falava do logo recém lançado para as olimpíadas Londres 2012. Fui contundente, agudo e voraz em minhas opiniões. Opiniões. Sim, foram duas. A primeira, de alguém que acabava de olhar para o logo; a segunda, de alguém que tentou pensar um pouco.

Os anos foram passando. Fui estudando mais, trabalhando mais, aprendendo mais. E se tem algo que não me envergonho é de mudar de opinião, de rever o que eu considero certo e errado. Não que eu tenha mudado de opinião em relação à 2008, na verdade eu saí do muro. Comecei a escrever esse artigo em dez/11, pois lá eu já percebia que ainda tinha algo a ser dito sobre isso. Logo, esse segundo texto não tem nenhuma motivação a mais do que a de registrar minha visão sobre o projeto em 2012. É até um exercício pra mim, de rever e rescrever sobre algo que já escrevi. Não farei análises, são apenas palavras que expressam minha atual opinião.

Por se tratar de um texto diferente do que costumo fazer, a estrutura dele também será diferente. Ele está dividido em pequenas partes, onde faço breves comentários sobre pontos específicos do projeto que são relevantes e que eu não comentei da última vez, ou que comentei mas que não reflete mais a forma como enxergo isso. Bom, vamos lá!

Investimentos

Em 2011 estive no abcDesign Conference, onde a Wolff Olins esteve presente. E algo muito interessante que eles mostraram para nós foi que Londres 2012 é a marca olímpica que mais atraiu investimentos. Investimento, penso eu, quer dizer patrocínios, certo? Patrocínio significa, penso eu, empresas querendo atrelar suas marcas à marca Londres 2012, certo? E o que seria de uma marca olímpica se essa não pudesse atrair investimentos, certo? Com certeza, uma das razões de existência de uma marca olímpica é a de trazer dinheiro para a cidade, para o pais e para o COI e o comitê organizador.

Em menos de 1 ano de lançamento, Londres 2012 já tinha atraido mais de 400 milhões de libras em investimentos. Em 1 ano. Mais de 1.2 bilhões de reais. Em 1 ano. Ou seja, a marca funcionou.

A ambição

Hoje, ao ler o briefing do projeto (disponível no site da Wolff Olins) que está traduzio logo abaixo, consigo enxergar que o trabalho da agência londrina responde ao problema lá apresentado. Problema não, a ambição do comitê organizador. E ponto. É só isso: um briefing resolvido. Faço questão de falar isso pois, ao analisarmos esse ou outro projeto de forma crua, baseado apenas em alguns segundos exposição a estética inicial (que no caso de Londres 2012, foi quase que aposentada), tentando “adivinhar” o processo, dizendo que é feio, que foi feito as pressas, que isso ou aquilo, nos tornamos no mínimo medíocres.

Segue o briefing do projeto, segundo o que foi postado no site da Wolff Olins, em tradução livre:

Ambição
A candidatura de Londres para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2012 foi como nenhuma outra. Ela prometeu que iria inspirar a juventude do mundo. Participar, envolver e entusiasmar – mudar vidas. Ela prometeu colocar os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos no centro da vida contemporânea. Para conseguir isso, Comitê Organizador de Londres precisava de uma marca poderosa, que pudesse inspirar e envolver  uma audiência global de 4 bilhões de pessoas. Uma marca que poderia fazer os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos mais relevantes, acessíveis e inspiradores do que nunca.

Ação
Nós trabalhamos com Comitê Organizador de Londres para definir uma ambição clara para Londres 2012. Estes jogos deviam ser todos. Eles chamariam as pessoas a desafiar-se – tentar coisas novas, ir mais longe, descobrir novas habilidades. A marca que criamos apoia esta ambição. O emblema (signo, símbolo) é um 2012, um símbolo instantaneamente reconhecível e com uma forma universal – que já está intimamente associado com os Jogos de Londres. É bold de foma não convencional, deliberadamente espirituoso e inesperadamente dissonante, ecoando qualidades de Londres, de uma cidade moderna, nervosa. Não contém imagens desportivas, nem imagens de marcos de Londres. O emblema mostra que os jogos são mais do que Londres, mais do que esporte. Os Jogos são para todos, independentemente da cultura, idade e idioma. O emblema foi concebido para ser preenchido, para conter preenchimentos e imagens, por isso é reconhecido o suficiente para que todos possam sentir e ser parte de Londres 2012.

Impacto
A ambição – de todos – já está moldando Londres 2012 e criando parcerias. Pela a primeira vez, os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos irão compartilhar a mesma marca, utilizando a sua própria variante do emblema. Não menos importante, a Olimpíada Cultural será capaz de compartilhar a marca. Com a adição dos parceiros comerciais, esta será a marca olímpica mais coesa na história. As novas tecnologias estão sendo colocadas em prática para que todos estejam mais perto da ação e mais profundamente envolvido. A mídia digital será usada para criar uma Olimpíada em que todos possam jogar uma parte, estejam onde quer que estejam. A marca que criamos irá moldar a experiência de 2012. Vai levar os jogos além do esporte, criando maior interesse e inspiração ainda maior. Ela vai criar as Olimpíadas para todos.

[Press release da Wolff Olins. Os destaques são meus.]

A ambição de comunicar jogos olímpicos de todos é muito bem cumprida! O fato de não haver símbolos/marcos londrinos ou britânicos não é uma escolha sem fundamento. É deliberadamente uma solução para a ambição que o Comitê Organizador tinha. De fato, é uma marca que não vende Londres ou Jogos de Londres de forma direta. Vende as Olimpíadas de forma maior, mais abrangente. “O emblema mostra que os Jogos são mais do que Londres, mais do que esporte”. E não podemos falar que isso é commodity. No projeto para Rio 2016, fica evidente o desejo de algo mais humano, que representasse o Brasil, o Rio, os cariocas, e o povo brasileiro. Essa era o briefing, que também foi resolvido.

Outro ponto interessante de comentar é que a solução de design da Wolff Olins para os logos olímpicos entrega o mesmo design tanto para as Olimpíadas quanto para as Paraolimpíadas. Trata-se de um único evento agora, sem distinção. Ao pensar rapidamente a respeito chego a conclusão que isso, provavelmente, trouxe mais investimentos para as paraolimpíadas. Tornou-se um único evento, e não dois que são separados por tempo, dinheiro e mídia.

O design

Com um briefing como esse em mãos e com as mentes presentes em seu staff, a Wolff Olins tinha a faca e o queijo. Eles tinham tudo para re-escrever a história do design gráfico para Olímpiadas. Hoje muito se fala da inovação desse logo.

Mas tem algo que ainda não vi ninguém comentar: além de unificarem os Jogos Olímpicos e os Jogos Paraolímpicos, a Wolff Olins criou uma marca que resolve talvez o maior problema de comunicação para logos de Olimpíadas: o excesso de elementos.

Não precisamos ir muito longe para saber que isso é um problema e que cria outros. Algumas das críticas dirigidas ao logo de Rio 2016 é que o símbolo e o lettering são duas marcas distintas. Basta ver que no próprio video de lançamento da Tátil que eles falam da dificuldade de conseguir um lettering que conversasse com o símbolo.

Uma marca olímpica tem que ter três elementos: o símbolo, o lettering (nome da cidade e o ano) e os anéis olímpicos. A marca paraolímpica tem um quarto elemento: o lettering “paralimpyc games”.

Com o briefing/ambição de jogos para todos, inclusão, envolvimento, mudar a história e etc, a Wolff Olins projetou um logo olímpico inédito: ele reúne todos os elementos num único emblema. Nome da cidade, ano do evento, anéis olímpicos e o próprio símbolo do evento (um 2012 estilizado). É uma verdadeira síntese visual. Além disso, cria uma plataforma para qualquer imagem: o logo se torna uma máscara e traz Londres 2012 para qualquer parte do mundo. Mais uma vez, é o briefing sendo atendido. Ou seja, o logo funciona.

E tenho que concordar que quadrados são mesmo forma universais. A composição de quadrados que cria o número 2012 é isso: alguns quadrados que só querem escrever 2012. E só. Sem grandes significados. Isso fica para as imagens que irão ser colocadas dentro do logo. Aliás, o grande significado dele é esse: nada de Londres, nada de esportes. Tudo “de mundo”.

A meu ver, essa solução de unificar todos os elementos numa solução visual única beira o “como ninguém pensou nisso antes?”. E o fato de tudo isso se tornar uma só solução visual, coesa, fechada e única abre possibilidades de uso e aplicação da marca como jamais foram vistas nas Olimpíadas. Quero dizer: se o logo aparece, ele aparece completo. Não importa o tamanho, não importa o espaço. Se é o logo, ele está lá. Completo. Soberano.

Existem duas aplicações possíveis: o logo das Olimpíadas com tudo, sem tirar nenhum elemento; ou o lettering Londres 2012. E acabou. Sem ramificações, sem cinco ou seis versões.

Alguns problemas corrigidos

No decorrer desses 4 anos, ficou claro que algumas decisões de design da Wolff Olins foram revistas. Escolhas como o sombreado amarelo praticamente desapareceram. Confesso que nas transmissões das Olimpíadas que vi, não apareceu o logo com sombra amarelo. Nenhuma vez.

Outro ponto muito criticado que foi revisto é o nome da cidade que agora aparece com a primeira letra maiúscula. Provavelmente isso não foi refeito no logo pois este já estava registrado. Estou especulando, mas o fato é que as duas decisões questionáveis foram revistas.

A identidade

“Daniel, um logo muitas vezes só se revolve e ganha vida quando está funcionando junto com sua identidade visual.”

Ouvi essas palavras de um amigo designer, Emerson Duarte, quando eu era estagiário. E até hoje vejo isso como verdade, e Londres 2012 prova que isso tem sentido. Alguém ai não se apaixonou pela identidade visual do evento? E antes que falem: eu sei que a Wolff Olins foi responsável apenas pela concepção do logo e que a identidade visual foi criada e desenvolvida pela FutureBrand. Mas vocês verão nas imagens abaixo que o trabalho da FB foi 100% baseado no que a WO fez. Acredito que nem poderia ser diferente e isso não tira o mérito de nenhuma das duas agências.

Para quem assistiu alguma transmissão ou nas imagens, pode ver que a identidade é baseada em linhas que, ao se cruzarem, formam polígonos. Estes por sua vez, recebem valores de matiz e saturação diferentes o que muda a tonalidade interna desses polígono com base na cor usada como background na peça. Agora a pergunta: sabe de onde veio essa “malha” de linhas?

A partir dessa imagem acima, a FutureBrand criou a identidade visual inteira do evento, incluindo a pintura das cadeiras do Estádio Olímpico e dos ginásios. Não apenas ela, mas designers de produto e outros profissionais se basearem nisso para suas criações para Londres 2012.

Correndo o risco de ser redundante: o grid do logo proporcionou um meio fácil para que outros profissionais e empresas criassem seus trabalho para Londres 2012 sem perder a identidade do evento. Mais que isso: um grid que mateve a identidade visual em tudo mas que não degolou a liberdade de criação.

Ou seja, a identidade e o grid funcionam.
(ps: não, não acredito que o grid tenha vindo antes do logo. Mas, isso diminui sua importância?)


Aplicações do logo em diversos tons, cores complementares e um uso alucinado de rosa e violeta. Simplesmente belíssimo o comportamento da marca.

Clichês? Não com meu briefing, obrigado.

“Mas cadê o Big Ben, a London Eye e o Gherkin? Isso ai não me remete a Londres.” Não remetia até agora, pois daqui pra frente esse logo será um símbolo de Londres. Argumentos como esse saem do mesmo lugar que produz coisas como “mas se minha empresa é uma pizzaria, porque não tem uma pizza no logo?”, ou se não: “eu tenho uma gráfica, portanto meu logo deve ter as cores ciano, magenta, amarelo e preto”.

Ok, isso se chama paridade e é valido. É um recurso a ser usado dependendo do projeto (lê-se problema) se tem em mãos para trabalhar (lê-se resolver). Mas nesse briefing havia pedidos de “não clichês londrinos” e  uma ambição gigante de mudar a história do evento.

Logo, se existe um briefing que pede por menos paridade e clichês, por que reclamar da falta destes? O cliente pediu, a Wolff Olins resolveu! E nunca é demais lembrar que, depois de uma marca ser lançada, as formas do logo passarão a remeter a ela, sejam essas formas quais forem. Para o bem e/ou para o mal.

Eu sempre digo algo aos meus clientes e amigos: nosso trabalho (como designers) é resolver problemas, vender ideias, construir ambições. Tudo isso com a melhor estética possível. Não adianta querer ser inovador se seu cliente não tem essa ambição. Não adianta querer ser artístico se o problema do seu cliente ou do briefing é resolvido com um quadrado preto. O que temos que fazer é claro: pegar um problema e/ou uma ambição e criar para resolver. O trabalho da Wolff Olins é isso: o cliente (Comitê Organizador) era extremamente ambicioso e queria mudar a história das Olimpíadas. Eles foram lá e criaram algo que potencializava a ambição do seu cliente. E ponto.

Conclusão

Um projeto de branding para uma marca vai muito além suas manifestações visuais, Jason Little da Landor já falou sobre isso. O Design (Gráfico, de Produto e etc) são os ídolos do branding. Eles que são venerados, adorados, desejado, comprados. Vemos que o design gráfico para essa marca, quando mostrado somente como um logo, foi recebido com estranheza pela maioria de nós. Como comentei no texto de 2008, o perigo desse “não-gostei-geral” era da marca não conseguir grana (investimentos) e poucas vendas.

Entretanto, passado o pesadelo inicial e alguns anos, vemos que a marca Londres 2012 é sucesso absoluto. A maior olimpíada de todos os tempos, com a maior quantidade de investimentos de todos os tempos! Se isso não é sucesso para uma marca, levando em consideração que elas buscam por lucros, o que é então? Pode não ser o único, mas é o primeiro objetivo.

Vendo o uso do logo hoje, a identidade, os ajustes no meio do caminho, os valores arrecadados, tenho que dizer: a Wolff Olins sabia (de novo) o que estava fazendo.

A Wolff Olins + COI venceram. O design quebrou paradigmas, enfureceu, convenceu, influenciou. E o mais importante: moldou parte importante de uma grande marca, a que mais atraiu dinheiro para uma edição de Olimpíadas. O design funciona. Gostem ou não, funciona.

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A opinião tão importante dos leitores.

Comentários: 53

  1. Ricardo Carvalho
    14 Aug 2012 10:08

    Ótimo post, daniel. Acho que tudo foi sintetizado ao dizer que devemos construir ambições, e nesse caso, o cliente tinha uma. E é a mais pura verdade, nós precisamos ser aliados do cliente, e se elês não tem essa ambição, tudo fica um pouco mais difícil.

    Acho que aprendemos a gostar da marca porquê ela funciona e é diferente, única. Estamos tão acostumados a ver marcas seguindo tendências, estilos, etc que não acreditamos quando algo feito de forma diferente e se torna espetacular. Como foi dito, a Wolff Ollins escreveu seu capítulo na história do Design Gráfico, e sendo bonita ou não, funciona perfeitamente.

    • Daniel Campos
      15 Aug 2012 10:40

      Ricardo, sempre bacana ler seus comentários por aqui. Volte mais vezes

  2. Cezar Cavalcanti
    14 Aug 2012 11:10

    Grande Daniel! Mais que Excelente Post!! Sintetizou tudo o que pensava mas não tinha certeza, mecerecem os parabéns tanto WolfOllins quanto o Comitê por segurarem esse conceito!

    Incrível também é como a Malha funcionou bem! Acredito que ela conserve característica subjetivas do que londres é, a Energia da Cidade, Divesidade, Histórias Cruzadas. Além de muitas aplicações usando Roxo, que é históricamente uma cor associada a Realeza, por em épocas passadas ser dificil de obter e consequentemente ser distintiva e usada por nobres.

    Ressalto que a música final do encerramento foi My Generation do The Who, colocando a cereja no bolo do Tagline “Inspire a Generation”.

    • Daniel Campos
      15 Aug 2012 10:40

      Obrigado pelo comentário e pela visita Cezar. É sempre um prazer ter você por aqui

  3. Ezequias Viana
    14 Aug 2012 12:37

    Continuo achando esse logotipo um terror de feio e estranho. Por mais que tenha sido bem estudada e aplicada. Não é modinha que vai mudar minha opinião.

    • Daniel Campos
      15 Aug 2012 10:38

      Ninguém tentou mudar sua opinião Ezequias. Essa aqui é a minha e só isso :)
      Obrigado por sempre estar por aqui querido. abs

  4. Carolina Poll
    14 Aug 2012 14:41

    Demais o post Daniel. Eu já gostava da marca e achei as aplicações muito bem feitas, passei a gostar ainda mais.

    Parabéns!

    • Daniel Campos
      15 Aug 2012 10:39

      Obrigado Carol. Quanto tempo hein. Volte mais por favor :)

  5. Diego Lauro
    14 Aug 2012 15:41

    Do meu ponto de vista, a concepção do logotipo e o que li no post elucidam muito o trabalho que foi feito. Particularmente, esse modo de trabalhar a geometricidade não parece inovador, por outro lado, a composição conversa muito bem e o sucesso das Olimpíadas nos mostra que o objetivo foi atingido.

    • Daniel Campos
      15 Aug 2012 10:37

      Obrigado pela visita e comentário Diego. Sempre um prazer

  6. Marllon Carvalho
    14 Aug 2012 16:02

    Ótimo post Daniel, sintetizou tudo e além do mais reviu uma opinião que a primeiro modo foi precipitada. Desde quando vi pela 1ª vez eu gostei do Logo, depois vi o vídeo de divulgação da cidade e dos Jogos e eu o que eu tinha entendido era exatamente o que eles estavam querendo transmitir. E eu sempre achei que o logo era a cara de Londres, onde há juventude impera, onde se nasce estilo, se cria novos modos de vida e de pensamento. Londres é e sempre será um nascedouro de informações seja escrita, cantada, fala ou de ações. A Wolff venceu e fez o jogos de Londres ressurgirem como uma Fênix linda, imponente e vigorosa!

    Meu parabéns, de um outro designer!

  7. Guilherme
    14 Aug 2012 18:45

    Os elementos da identidade visual melhoraram o aspecto geral da marca. Mas a marca em si continua tenebrosa, com sérios problemas de aplicabilidade. Aquele “london” escrito dentro do desenho do 2012 jamais poderá ser lido numa redução mínima.
    Esse GRID que foi mostrado também é uma balela. Eu não acredito que esse grid tenha sido criado antes do desenho do logo. Criaram o logo e depois fizeram o grid por cima. Não é assim que se usa grid.
    E por fim, o mais importante: é feio!

    • Daniel Campos
      15 Aug 2012 10:25

      Olá Guilherme, como vai? Espero que muito bem. Antes de mais nada, obrigado por sua participação na conversa, é uma honra :)
      Então o mais importante para você, na construção de uma marca, é se é bonito ou feio? Não teríamos um problema de julgamento pessoal aqui? Acredito que discussões de “bonito x feio” é que tem frustrado designers e clientes de um modo geral. Uma marca nasce com um propósito, representar e resolver. Se decisões forem embasadas em “bonito x feio” o risco do projeto não ser a resposta que o problema precisa aumente exponencialmente. Exemplo básico e batido mas que ilustra o que quero dizer: o branco pra você e pra mim lembra pureza e paz; pro japonês é sinal de morte! Então, como que o julgamento de “é feio” pode ser, como você disse, “o mais importante”? Ainda mais tratando-se de uma marca que deverá conversar com 4 ou 5 bilhões de pessoas?

  8. Guilherme
    14 Aug 2012 18:47

    A verdade é que as olimpíadas já possuem uma marca excelente: os anéis olímpicos. Um bom designer não deveria criar nehum tipo de anexo para essa marca. Bastaria manter apenas os anéis olímpicos, e adicionar um lettering com o nome da cidade e o ano. Essa é a solução mais razoável à luz de todos os preceitos do design gráfico. Mas claro, quem cria essas marcas não pensa tanto em design, senão em marketing.

    • Daniel Campos
      15 Aug 2012 10:26

      Uma sugestão interessante Guilherme. Particularmente nunca havia pensado nisso.

  9. Wendel Alves
    14 Aug 2012 18:59

    Caro, parabéns pela nova análise, realmente o que foi feito para Londres tem em si a marca da ousadia e isso causou tantos frissons na época, que muitos entupiram impressos e sites especializados com os achismos perigosos e distantes de algo talvez inovador no que diz respeito às identidades dos jogos olímpicos anteriores.

    • Daniel Campos
      15 Aug 2012 10:37

      Obrigado pela visita e comentário Wendel. Volte mais vezes

  10. Paulo
    14 Aug 2012 19:46

    Ótimo texto!

    • Daniel Campos
      15 Aug 2012 10:36

      feliz por ter gostado Paulo. Volte mais :)

  11. Marcelo Barros
    14 Aug 2012 20:21

    Mr. Daniel!

    Que prazer imenso visitar o LOGOBR e ver um belíssimo post escrito. Parabéns! Gostei bastante do assunto tratado e de como foi escrito, pois foi fácil, direto e esclarecedor.

    Confesso que fui uma das pessoas que inicialmente “torceu o nariz” ao ver o logo pela primeira vez, mas fiquei atento as explosões de comentários. O que realmente me toca é o fato de que indifere se o logo É ou NÃO bonito, apenas se ele atende as necessidades e anseios de seu cliente e público alvo. E aí está! Na mira!

    O Reino Unido tem como característica histórica quebrar cânones e o fez novamente. Eles transformaram o Rock e a música pop. Subverteram o Punk em atitude, estilo de vida e moda… isso só falando em música…

    Agora só restou uma dúvida: Como eles pensaram aquela PORRA de grid, cara? MEO DEOS! Rs!

    Cara, obrigado pelo texto e pela continua busca de nos presentar com informação!

    Abração!

    • Daniel Campos
      15 Aug 2012 10:36

      Grande Marcelo! Quanto tempo.
      Ótima observação. Venha mais vezes pra cá cara, será um prazer :)

  12. Junior
    14 Aug 2012 21:30

    Perfeito.

    • Daniel Campos
      15 Aug 2012 10:36

      :)

  13. Fabiano Brum
    15 Aug 2012 0:15

    Eu continuo vendo a Lisa e o Bart fazendo o que não devem…

    MAS mesmo assim, gostei muito do uso do grid — como foi usado graficamente e como influenciou o desenho de outros elementos além do logo — e da ideia de sintetizar ano e símbolo em único elemento. Realmente, eles revolucionaram a história dos logotipos das Olimpíadas!

    É só comparar com os exemplos do próprio post. A partir dessa marca, todas as outras viraram lugar comum, inclusive a nossa. A mesma receita de sempre: símbolo, lettering e argolas. A nossa é bonita, mas e daí, né?

    Acho que demora para conseguirem fazer algo tão revolucionário de novo… Pelo menos uns 4 anos! ;-)

    • Daniel Campos
      15 Aug 2012 10:34

      Tudo isso foi resultado de diversas variantes que permitiram que esse projeto viesse a vida. Acredito que irá demorar mais que 4 anos para isso rolar de novo Fabiano. Espero que não, mas é o que acho! rs

      Obrigado pela visita querido. Volte mais vezes, será sempre um prazer!

  14. André Luiz Sens
    15 Aug 2012 1:08

    Daniel,

    Para variar, ótimo artigo. Mas acho que sou um dos únicos que teve um sentimento contrário. Enquanto todo mundo torcia o nariz para a primeira apresentação da marca, eu tinha visto nela uma esperança de uma identidade ousada e única. Percebia nos traços fortes e nas fores vibrantes muito de uma manifestação tipicamente londrina: o design punk. Mas confesso que as aplicações foram aquém das minhas expectativas. Houve uma certa “caretização” nas aplicações. Essa percepção ficou muito clara quando vi os videografismos das transmissões oficiais apresentados durante os jogos. A rica grade construída a partir da marca era apenas um discreto adorno no fundo, enquanto que as fontes bem convencionais, as formas arredondadas e a cor azul empregados nos infográficos nada conversavam com o restante da identidade. Mesmo fora da tela (embora ela seja muito relevante em se tratando de eventos mundiais), a maior parte das sinalizações vistas durante os jogos seguiram uma constância um tanto exacerbada para uma grade de linhas que oferecia uma grande variedade de composições e apresentações. Essa dinâmica formal foi melhor aproveitada em apenas algumas situações, como nos veículos oficiais e nas brochuras, por exemplo. E acho que isso tem muito haver com essa divisão de responsabilidades, na qual marca e aplicações são pensadas em tempos distintos. As aplicações não são acessórios, mas parte intrínseca do sistema de identidade visual.

    Abração!

    :)

    • Daniel Campos
      15 Aug 2012 10:32

      Só posso dizer uma coisa André: amém!

  15. Marco Gross
    15 Aug 2012 2:04

    Ótima análise!

    A marca continua não me agradando. O sistema de identidade visual e a publicidade/marketing ofuscaram as impressões negativas sobre a marca… se fizerem o mesmo com a marca da copa do mundo de 2014 vai ocorrer o mesmo!

  16. Gustavo
    15 Aug 2012 8:57

    Ótimo texto!
    Nunca tinha parado pra analisar desse ponto de vista.

    • Daniel Campos
      15 Aug 2012 10:32

      Fico feliz em ter cooperado com seus pensar Gustavo. Volte mais vezes, será um prazer :)

  17. thiago costa
    15 Aug 2012 9:52

    parabéns pela humildade de mudar de opinião. está faltando isso no mercado e no mundo em geral.

    • Daniel Campos
      15 Aug 2012 10:31

      Obrigado você pela visita e pelo comentário Thiago :)

  18. Ricardo Barroz
    15 Aug 2012 14:36

    Hoje todo projeto de grande escala que é lançado é atacado. São duras criticas, montagens, campanhas… Me acostumei, ja fico esperando um site que o grupo de design de não sei onde, vai criar para mostrar outras opções para a identidade visual supostamente equivocada… (Muitos desses nem leram o Briefing)

    É claro que podem existir outras ideias e soluções melhores! Mas sinceramente isso não é um problema seu! É um problema que você queria que fosse…

  19. André Aguiar
    15 Aug 2012 15:47

    Fantástica a sua análise. Sou apaixonado por essas identidades de grande eventos como Copa do Mundo e Olimpiadas. A amplitude de um projeto desses é gigantesca e afeta o mundo inteiro. Confesso que no início torci o nariz para a marca, mas a identidade visual salvou em muito sua aplicação. Vendo a defesa/briefing da marca vejo que ela solucionou e bem o “problema” e o fato dela ser coesa foi uma sacada incrível.

  20. Paulo Eduardo Marchezini
    15 Aug 2012 15:50

    Eu concordo com o Guilherme e Marcos que escreveram acima que a aplicação da marca melhorou seu aspecto geral. E concordo com o texto que faz uma análise geral da marca, conceito, aplicação… acho que tudo tem sim que ser analisado em conjunto mas, penso que não por isso devemos abandonar a análise individual de cada elemento, e o visual da marca poderia sim ser muito melhor sem perder todos os outros aspectos que foram relacionados a sua “construção”. Acho que um trabalho do alcance e importância de uma marca olímpica oferece diversos obstáculos que precisam ser vencidos, mas não por isso devemos aceitar que foi feito o melhor, não eu acho que poderia ser melhor porque na mesma proporção dos obstáculos haviam profissionais e capacidade para vencê-los. A marca de Londres é feia dentro de uma séries de conceitos bem escolhidos e definidos e ela poderia manter esses “valores agregados” sendo mais agradável visualmente.

  21. Petter Martins
    15 Aug 2012 16:25

    A marca apresentada isoladamente, de fato não me agrada, mas chego a me emocionar ao pensar em toda a atmosfera criada em torno dela.

    É um projeto instigante, emocionante, maravilhoso e muito, mas muito invejável (positivamente é claro), de uma personalidade incrível, como eu jamais havia visto antes em uma Olimpíadas (sem desmerecer a identidade das olimpíadas passadas).

    Vou parar de escrever pra não chorar de emoção rsrsrs.

  22. Fabio Ribeiro
    15 Aug 2012 16:27

    Belo post Daniel!

    Eu acho que depois de Munich 72 do Aicher vem London 2012 da WO e FB.

    Abs

  23. Tiago Mattozo
    15 Aug 2012 17:58

    Parabéns pelo post…sensacional!!! Uma verdadeira aula!

  24. Rafael Baruffi
    15 Aug 2012 22:45

    Excelente artigo, Daniel. Parabéns.
    Eu sempre gostei da marca, mais depois dessa verdadeira aula, passei a gostar e admira-lá ainda mais.

    Abs.

  25. Rafael Efrem
    15 Aug 2012 23:21

    Não tenho vergonha de dizer que mudei um pouco de opinião em relação à marca. Embora ela continue a não me agradar esteticamente, sem falar na péssima legibilidade do 2012 (muitos dos meus alunos não conseguiam ler o 2012), passei a simpatizar com ela depois do seu texto. As aplicações a valorizam enormemente.

    Agora a dúvida que não quer calar: como eles criaram esse grid? A tentação em achar que ele foi elaborado após o desenho dos números é grande…

    Abraços e parabéns pelo texto!

    • Daniel Campos
      17 Aug 2012 12:03

      Prof. Rafael,

      Obrigado por sua visita e participação. É um honra recebe-lo. E não, eu não acredito que o grid nasceu antes do logo :)

  26. Daniele Pereira
    21 Aug 2012 13:19

    Post muito importante!

    Pensar e repensar sobre uma marca, faz toda a diferença. Nós designers sabemos bem que não dá para julgar/avaliar um trabalho em uma olhada, a primeira vista. Os pontos precisam se encaixar, o contexto precisa ser conhecido, o briefing, o fluxo de pensamento, enfim…

    O que mais me chama atenção nessa marca, é a síntese…estética e de objetivos.

    Boa reavaliação!

  27. Fernanda Segolin
    23 Aug 2012 20:52

    Oi! Estou com um novo blog, Japa Boy Cosplay. Se der pra dar uma força, agradeço! Valeu! abrs

  28. Andre Marinho
    2 Sep 2012 17:59

    Companheiro, você falou tudo o que pensei ao acompanhar como foi o processo de criação desse logo Londrino. Não sou designer nem nada relacionado, mas levo isso como um hobby – aliás, de todos oq mais gosto. Realmente no começo ele assustou muito, mas isso foi devido àquela coisa enraizada que temos para com quebras de tradições. Ao final, as empresas criaram, na minha opinião, a mais marcante e bonita identidade visual olímpica dessa nossa história recente. Muito movimento, cores vibrantes e sem perder o ‘espirito’ olímpico. Sem comparação com aquela coisa enjoativa de Pequim e muito mais sintético que o de Vancouver, por exemplo. Gostei. Para mim, Sochi também conseguiu fazer algo diferente e interessante e o Rio, bom, confio muito nos nossos designers. Parabéns pela avaliação!

  29. Elinho Galvão
    7 Sep 2012 15:51

    Eu gostei muito das aplicações, são super bacanas, modernas.
    Mas o logotipo por si mesmo, isolado, não é muito aprazível.

    E também faço parte do time que jura de pés juntos que o grid veio depois =)

    Ótimo post.

  30. Vinícius Krausz
    10 Sep 2012 21:05

    Excelente post. Aliás, gosto quando você coloca opiniões pessoais sim, mas ao mesmo tempo todo o embasamento teórico na argumentação, pois mesmo que isso prolongue o texto, é nesse tipo de discurso que surgem as dúvidas e questionamentos, que são o ponto de partida para a evolução de qualquer forma de pensamento. A partir dessa premissa, abro outra discussão, que ainda não foi abordada diretamente no blog, e que eu acho muito interessante. Não busco com isso questionar o sucesso do logo, pois concordo com você sobre quase todos os aspectos, no entanto, você utiliza em geral argumentos para justificar o sucesso do logotipo como o cumprimento do brifing, e que ele funciona, sobretudo porque é capaz de seguir as lógicas do mercado. Sei que questionar esses valores, quando nos referimos a branding é quase um paradoxo, afinal estamos falando de um logotipo, de uma marca, enfim, que tem por objetivo representar uma empresa e seus serviços, que são comerciais. Mas, pra mim que estou no primeiro período da faculdade, lendo diferentes visões e mudando constantemente minhas forma de pensar Design, tudo isso inevitavelmente me remete a repensar qual é o papel do Designer, pois você o coloca de uma forma um pouco vendida ao expressar que o Designer deve apenas cumprir o que é proposto pelo cliente. Talvez essa função profissional seja válida, e sem dúvida, necessária nesse contexto, mas não acredito que seja algo que qualifica de forma genérica o trabalho de um designer. Não que eu esteja dizendo que o design não tem por objetivo ser algo comercial, é evidente que tem, mas ser comercial, é aquilo que essencialmente qualifica o design como bom ou ruim? Não é necessário analisar outros aspectos… formais, semióticos, tectônicos, sociais, éticos, filosóficos mesmo quando se fala em Branding? Está é discussão que eu abro. E ponho como referência o que é abordado no livro Design para um Mundo Complexo de Rafael Cardoso e Design e Democracia de Gui Bonsiepe. Desculpe, se eu falei alguma bobagem, mega absurda, rs Parabéns pelo Blog!

  31. Ciro Rocha
    11 Sep 2012 15:26

    Post bom demais, Daniel. Análise em cima dos pontos de vista que tive também.
    Ver a marca funcionando, com todos os elementos, foi uma coisa bonita demais de se ver.

  32. marco aurelio patara
    17 Sep 2012 18:17

    olá daniel, sou novo por aqui e não conhecia seu blog.
    tb achei, logo que foi lançada, uma marca esquisita, toda disforme e “quebrada”. não conseguia ver além daquilo e já me apeguei as palavras “não gostei”. talvez pelo fato dessa marca ser uma ruptura total com o que já havíamos visto antes, nas outras edições, e sempre, com tudo nessa vida e ao redor do mundo, tudo o que é novo, diferente, um outro caminho, é estranhado no começo, posto de lado, criticado.
    o tempo passou, chegou o momento dos jogos e as aplicações começaram a aparecer, e instantaneamente eu mudei de opinião. o que pra mim, no início, era uma merda, passou a ser, excelente. uma virada de jogo inesperada para um conceito que eu já havia formatado, encaixado. ledo engano.
    hj vejo como fui ingênuo e talvez de uma maneira, um pouco intransigente. enfim, a história sempre nos ensina e não podemos ser tão tolos em achar que nossas opiniões sempre serão as mesmas. hj acho essa marca muito boa, não vejo esses problemas de redução mínima e coisas do tipo, até porque por essa razão existe a versão somente com o lettering.
    belo texto o seu, bons argumentos e bela coragem da WO que sobretudo foi quem teve o peito de apresentar essa marca, aguentar as porradas do mundo todo e da própria cidade de londres, que no início tb não tinha gostado.
    parabéns

  33. Thiago Valenti
    25 Sep 2012 10:08

    Muito legal Daniel, pra lá de interessante essa sua análise.

    Morando aqui em Londres desde o ano passado eu vi como a aplicação gradual mudou um pouco a opinião de alguns londrinos e como você se acostuma a ver essa aberração por aí. Sim, na opinião de muitos designers daqui ainda é uma aberração, mas não quer dizer que não funciona.

    A única coisa (mínima) que senti falta de comentar foi o uso do mapa de Londres pra formar o 2012 (por isso aquele pedacinho retangular no meio, é a cidade de Londres).

    Como muitos já disseram, parabéns pela visão interessante.

  34. Thiago Cadidé
    30 Nov 2013 16:14

    Não sei se já foi comentado acima (tive preguiça de ler todos os comentários) e sei que estou meio atrasado… mas eu percebi que a logo remetia sim a esportes. Vejo claramente um nadador (as duas formas superiores), um jogador de volei fazendo o saque, pernas em movimento (correndo), um hipista. Portanto, creio que a marca remete a alguns esportes disputados durante os jogos.

    E o post está muito bom, muito completo!

  35. Marina Knok
    11 Apr 2014 15:56

    Sem sombra de dúvidas que foi provado que funciona, mas me colocando no lugar do designer, se eu faço uma proposta e pelo meu feeling acho ela horrenda, eu não prossigo, por mais que tenha possibilidade de fazer algum sentido lá na frente…o jargão “gosto não se discute” se aplica em vários setores da vida, porém para o design é diferente…já vi gente sendo mandada embora pelo simples motivo de ter “mau gosto”, ou seja, a maioria esmagadora achava os jobs do indivíduos feios…enfim, só uma opinião. Mas esse é um caso a parte, realmente funcionou, apesar de eu só conseguir olhar para o logo aplicado…ele por si só, sinto certo desconforto de olhar.

Agora diga o que você pensa.

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